TCE Piauí promove sessão de cinema especial com o filme Meduna, de Cinthia Lages

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Lançado em 2024, ano em que se completaram sete décadas da inauguração do Sanatório Meduna, o documentário “Meduna – Quem sabe onde está a Loucura?”, que resgata a trajetória da instituição psiquiátrica que introduziu, no Piauí, tratamentos médicos para doentes mentais e que marcou profundamente a relação da sociedade piauiense com a loucura ao longo de 56 anos, foi apresentado pelo Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI), por meio da Escola de Gestão e Controle (EGC), na manhã de hoje (27), na sala 4 dos Cinemas Teresina (Teresina Shopping), para membros, servidores e convidados.

Inaugurado em 21 de abril de 1954, o manicômio — idealizado pelo médico Clidenor de Freitas Santos — recebeu cerca de 100 mil pacientes do Norte e Nordeste até seu fechamento, em 2010. O nome do sanatório foi uma homenagem ao psiquiatra húngaro Von Meduna, criador da técnica de eletrochoque, implantada na Instituição piauiense.

Além de médicos que passaram pelo corpo clínico do Meduna, ex-funcionários, familiares do Dr. Clidenor de Freitas Santos, o documentário também ouviu ex-pacientes, que foram internados em períodos distintos e cujos depoimentos revelam o início da decadência da Instituição, que acompanhou as mudanças na Política de Saúde Mental do Brasil. “Sou uma sobrevivente do Meduna”, diz a dona de casa Maria Rosa Pereira, internada, pela primeira vez, aos 15 anos de idade. “Eu queria ter estudado, ter me formado. Perdi minha vida lá”, desabafa.

A produção cinematográfica, dirigida e idealizada pela jornalista Cinthia Lages, revisita desde a construção do hospital até o destino de seu acervo, incluindo documentos inéditos, a estátua de Dom Quixote, uma obra de Cândido Portinari e até a ficha psiquiátrica de Torquato Neto. “Esse filme trouxe muitas coisas para a minha vida, muitas lições tiradas. Ele foi feito de uma impaciência, de uma angústia de, como teresinense, querer entender o que era o Meduna. Tive parentes internados naquele lugar e a curiosidade jornalística me fez querer contar essa história”, disse a jornalista Cinthia Lages.

Após a exibição, uma roda de conversa com o médico psiquiatra Dr. Anfrísio Lobão, ex-conselheiro do TCE-PI, e a jornalista Cinthia Lages foi mediada pelo conselheiro Jaylson Campelo, abordando aspectos relevantes do documentário e as mudanças trazidas até a atualidade pela Política de Saúde Mental.

Entre os membros presentes, o presidente do Tribunal, conselheiro Kennedy Barros; a conselheira Flora Izabel, diretora-geral da EGC; o conselheiro Delano Câmara, além dos procuradores do Ministério Público de Contas: Pinheiro Júnior, Márcio Vasconcelos e Leandro Maciel. O desembargador Arnaldo Boson e o vereador Venâncio Cardoso também estiveram presentes.